5 de janeiro de 2015

Twelve Days of Christmas - 12 - Bolo folhado com doce de ovos :)

On the twelfth day of Christmas my true love sent to me,
twelve drummers drumming, eleven pipers piping, ten lords-a-leaping,
nine ladies dancing, eight maids-a-milking, seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Quando eu era criança nunca era escolhida para fazer o que quer que fosse nas festas de Natal e do fim do ano lectivo da escola. Era gordinha e tão alta como os rapazes mais altos, não cantava particularmente bem, era desastrada e pouco delicada e ria-me sempre quando era preciso actuar, por isso era sempre preterida em tudo o que envolvesse cantar, dançar, correr ou representar.

Um dia, uma professora particulamente insistente decidiu colocar-me a tocar xilofone numa das músicas. Fiquei na parte da frente do palco, em grande destaque, e juro-vos: toquei aquele xilofone como se a minha vida dependesse disso.

Foi absolutamente épico. Duvido que alguém tenha alguma vez tocado xilofone com tanta emoção, a sério.


É claro que o meu avô filmou todos os segundos - o texto sobre o meu avô e a sua obsessão carinhosa com filmar tudo merece ser escrito em breve - mas confesso que sempre achei que as imagens não faziam justiça à awesomeness daquele momento. As outras pessoas também não devem ter ficado particularmente sensibilizadas com a grandiosidade daquilo, porque pouco tempo depois levei novamente um pontapé no traseiro para o fundo do palco ou para os bastidores.

E pronto, é assim que se traumatizam as criancinhas.


Depois disso passei anos sem tocar qualquer instrumento de percussão, até ao dia em que decidi impulsivamente inscrever-me numa aula de bateria da minha escola de música. E a conversa inicial foi mais ao menos assim:

Professor: Então, já alguma vez andaste em aulas de bateria?
Joana: Não.
Professor: Mas já alguma vez tocaste bateria?
Joana: Não.
Professor: Sabes alguma coisa de bateria?
Joana com ar fofinho: Tem pratos e bombos e um pedal?


Foi uma hora bastante divertida - pelo menos para mim, não garanto que o professor tenha achado o mesmo. Apesar disso, no fim ele garantiu-me que eu tinha um óptimo sentido do ritmo e que não era particularmente desastrada ou pouco coordenada, principalmente tendo em conta que era a minha primeira aula de sempre.


Fiquei de pensar a sério sobre inscrever-me, mas no fim achei que iria ter dificuldades em conciliar o dobro da carga horária da música com os meus outros milhões de afazeres. No entanto, confesso que sempre que penso nisso tenho vontade de espremer a minha já muito apertada agenda e arranjar tempo para ir bater com pauzinhos em coisas.

Talvez um dia decida inscrever-me em aulas de bateria. Talvez não. Mas uma coisa é certa: o trauma, esse pelos vistos já foi embora.


Bolo folhado com doce de ovos (receita adaptada do blog 'As Minhas Receitas')

Ingredientes:

* 375g de açúcar;
* 225ml de água;
* Doze gemas;
* Dois rolos de massa folhada rectangular;
* 200g de amêndoa picada torrada.

Confecção:

* Para o doce de ovos juntar o açúcar com a água e levar a aquecer em lume brando;

* Deixar ferver durante aproximadamente dez minutos, retirar e deixar arrefecer ligeiramente;

* Juntar a calda em fio nas gemas batidas e misturar bem;

* Aquecer novamente a mistura em lume brando, mexendo sempre até engrossar;

* Retirar do lume e continuar a mexer até estar arrefecido;

* Estender a massa folhada e cortar cada placa ao meio;

* Picar cada placa com um garfo e levar ao forno pré-aquecido a 200º durante aproximadamente quinze minutos;

* Deixar arrefecer completamente;

* Para a montagem colocar uma placa de massa folhada num prato e cobrir com o doce de ovos, cobrindo com outra placa e assim sucessivamente até terminar a massa folhada e o doce de ovos;

* Polvilhar com a amêndoa torrada.



Esta foi a receita mais difícil de conciliar com o tema dos 'Twelve Days of Christmas'. Queria algo que me lembrasse um tambor, mas não me ocorria nada e por isso pedi auxílio à sempre criativa Avelã, que me disse que 'tambor' é em determinados locais o nome dado a um pastel de massa folhada e doce de ovos. Por isso aqui têm: um tambor em ponto grande :D

Espero que tenham gostado destes Doze Dias de Natal :D

12 comentários:

  1. A minha tia deliravaaa com este doce!

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    1. Porque não fazes S*? É super simples :D

      Beijinhos e boa semana :D

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  2. Bem... É so uma tentacao!!! E o meu bolo favorito!!
    E sim, os tambores sao deliciosos! Hehe
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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    1. Nunca tinha ouvido falar dos tambores, acreditas? :D

      Beijinhos :D

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  3. Que engraçado! Nisso eu era completamente o oposto. Nunca gostei de muita exposição e bolas, era sempre escolhida para cantar, declamar, e tudo o que acabasse em ar! Confesso que tinha jeito mas não queria estar exposta daquela maneira! Era quase como se estivesse nua a atuar para um milhão de pessoas (quando somos pequenos tudo nos parece tão grande e assustador!) Não demorei muito tempo a apaixonar-me pelo piano. Ou órgão. Ou os dois! Quando de repente me vi sentada numa igreja prestes a tocar o reportório de uma missa só conseguia pensar "que raio estou eu a fazer?"! Olha, comecei e nunca mais quis parar! Adorava! A partir daí para além de se recrutada para cantar, declamar e atuar nas festas da catequese e da escola, ainda passei a ser requisitada para tocar em todas as atuações de todas as turmas. Ou seja, o triplo da exposição! Mas não fiquei traumatizada! Felizmente. Era a minha praia. Ficava extremamente nervosa mas tão absorvida que acho que me esquecia de tudo o resto. Mesmo assim continuo a não gostar de muita exposição. Há coisas que não mudam! Adoro doce de ovos, adoro massa folhada, esse bolo é tudo de bom!

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    1. Eu na altura até gostava da exposição, talvez porque não tinha muita. Mas agora não gosto de todo :)

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  4. Uau, o aspecto está fenomenal! Está mesmo lindo de morrer :P que festivo, alegre, colorido, perfeito :D eu nunca pensaria em espalhar assim amêndoa por um bolo, acho sempre que ia ficar estúpido. E provavelmente ficava, se fosse eu. :P
    Eu não era muito fã de festinhas de primária, mas lembro-me de querer ser a carochinha e haver uma votação para o papel (aquilo era muito sério, havia audições «diz esta frase» e pontos escritos no quadro! Tenho saudades de quadros pretos compridos com fatias de pizza para explicar contas.) entre mim e outra miúda em que EU ia ganhar, mas faltei um dia e escolheram fazer a votação nesse dia (e omitir a parte de eu entrar). A vida é cruel ;)
    Não sabia que eras muito alta :) fazes-me lembrar uma amiga da primária, pelo que descreves. :)
    Uma vez uma professora particularmente insistente tentou pôr-me a cantar, foi irritante... Seempre que passava por mim ou tinha uma aula dizia para eu ir. Não sei qual era a ideia, tive de recusar vinte vezes e ela ainda tentou deixar em aberto para eu fazer uma surpresa e aparecer lá. Sou uma desmancha prazeres. Também era um capricho estranho, ela já sabia que eu não tinh jeitinho nenhum e tinha imensos voluntários :P não sei se era uma espécie de tentativa de integração ou cumplicidade. Ou então fez uma aposta :P
    Mas essa professora até foi simpática, também tinhas direito à ribalta! :D
    Xilofone, que giro! Eu tinha um colorido e um em forma de pé. Gostava de ter visto essa actuação :) com que então sempre tiveste uma tendência desvalorizaada para a música.... :)
    Nãão, aposto que foi brilhante :) uma pessoa fica sempre com aquela noção engraçada... Ainda hoje acho que no desfile de carnaval em que fui de ninja (não me calo com isto, eu sei) dei uns mortais. Gostava de ter gravado, devo parecer uma múmia de lego a andar aos tropeções com as mão esticadas.
    Haha :P tocar bateria é giro, deve chegar. Deve ser o instrumento mais «cool» por causa de desenhos animados e filmes (porque de resto até se dá mais importância à guitarra).
    Estás a ver? Já foram 2 a reconhecer o teu potencial :) é uma pena que não tenhas tirado proveito do potencial de estrela em ascensão, mas a música deve tirar muito tempo (conheço uma rapariga que não faz mais nada :P). E o atletismo. Para quem não quer ser profissional pode não ser muito prático, eu acho que não conseguia. E não é só por não ter jeito. :P
    Já fiz mil folhas e ficou mesmo muuito bom, mas foi com creme de pasteleiro de baunilha e não doce de ovos. Antes de saber que existia eu diria ser enjoativo/pesado demais, mas não parece nada disso! Tem um aspeto fenomenal :) O doce de ovos está com uma cor tão gira!
    Quando fiz só encontrei massa folhada circular, cortei rectângulos. Foi chato, mas redondo não tinha tanta piada.
    Pensava que o mil folhas só tinha 3 camadas de massa folhada! Por acaso achei que talvez ficasse melhor com 4, ficou um bocado baixo. Mas também foi porque eu esmaguei a massa folhada porque areado seria estranho.
    Amêndoa picada torrada - antes de ver esta ordem de adjectivos nem tinha pensado que a amêndoa picada fosse «crua». É óbvio, só não tinha dedicado ao assunto um momento de reflexão ;) haha
    Ohh está tão giro dentro do caixote! Odeio transportar bolos, é um grande agente de stress :P
    Ainda bem que existe um bolo chamado tambor, estava com receio de não ter dado uma sugestão de jeito :P
    O Twelve Days of Christmas foi muito giro :D

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    1. Honestamente eu achei um bolo pesado. Mas quem comeu delirou, e no fim o Bernardo levou o prato com meio bolo para casa e nunca mais ouvi falar dele (do bolo, não do Bernardo) por isso assumo que teve um final feliz :D

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