3 de janeiro de 2015

Twelve Days of Christmas - 10 - Trufas de chocolate negro com rum

On the tenth day of Christmas my true love sent to me,
ten lords-a-leaping,
nine ladies dancing, eight maids-a-milking, seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Nas últimas décadas creio que temos assistido a uma mudança no paradigma da dinâmica relacional e familiar.

Há muitos, muitos anos o homem era o responsável pelo sustento do agregado familiar. Era o homem que trabalhava fora enquanto a mulher criava os filhos, cuidava dos pais, tratava da casa, cozinhava, fazia pão no forno a lenha, tratava da horta e todas aquelas coisas que pertencem ao nosso imaginário infantil.

Eventualmente a mulher saiu. Começou a trabalhar fora também, continuando a equilibrar a vida familiar e as exigências domésticas o melhor que podia e conseguia. No entanto, era ainda esperado do homem que trabalhasse mais, que ganhasse mais e que tivesse um papel menos interventivo na vida familiar.


Actualmente somos todos iguais. As mulheres trabalham, tratam dos filhos, orientam a casa e cozinham - mas os homens também o fazem, e já é esperado que o façam. As tarefas são divididas - ou deviam sê-lo - de forma equitativa e justa, e ninguém tem mais direitos ou deveres por ter ou não nascido com pipi.


Cá em casa funcionamos assim, não de uma forma estática ou regrada (porque não há propriamente tabelas de tarefas como na escola primária), mas de uma forma equilibrada: se um chega mais tarde a casa, está cansado ou já fez determinada tarefa da última vez, o outro põe mãos à obra. E isto é válido para tudo, desde a arrumação da casa à organização da roupa e desde a lavagem da louça à confecção do jantar.

Mas por vezes dou por mim a ter um pensamento curioso: será que esta mudança de paradigma é boa? Será positivo estarmos a masculinizar o papel das mulheres e a feminizar o dos homens?


Cada vez é mais exigido às mulheres que sejam fortes e imperturbáveis e que tenham uma carreira profissional de sucesso. Por outro lado, cada vez é mais exigido aos homens que sejam sensíveis e românticos e que estejam envolvidos na vida familiar. E é inegável que isto tem feito maravilhas pelo equilíbrio dos sexos, mas a dada altura é impossível questionar-me: será que lutarmos pela igualdade de géneros faz sentido, quando por definição somos géneros opostos com particularidades e potencialidades completamente distintas?


Enquanto não chego a uma resposta concreta, vou fazendo o que me parece mais correcto. Cá em casa as tarefas físicas são divididas, mas as emocionais não. Não é exigido de mim que seja a pessoa racional e lógica, tal como eu não exijo que o Pedro se torne sensível e atento. Eu não espero que ele consiga ler-me os pensamentos e perceber o que se passa, tal como ele não espera que eu me transforme magicamente numa mestre do planeamento logístico. Eu cuido dele emocionalmente, ele protege-me fisicamente - no fundo, como sempre aconteceu ao longos dos tempos.

Somos diferentes, e por isso temos papéis diferentes na nossa relação. E isso não é necessariamente mau, desde que a complementaridade seja usada a nosso favor.


Por isso hoje trago-vos dois tipos de trufas: com cacau para ele, com coco para mim. Trufas diferentes, para pessoas diferentes com papéis e propósitos diferentes - mas que resultam na perfeição, tal como nós.



Trufas de chocolate negro com rum (receita adaptada da Saveurs Spécial Fêtes)

Ingredientes (para aproximadamente vinte trufas):

* 150ml de natas;
* 50g de mel;
* 300g de chocolate negro partido em pequenos pedaços;
* Duas colheres de sopa de rum;
* Cacau em pó ou coco ralado para a cobertura.

Confecção:

* Aquecer as natas e o mel numa panela até ferver e desligar o lume;

*  Verter a mistura das natas sobre o chocolate, esperar um pouco e mexer bem até obter uma ganache lisa e brilhante;

* Acrescentar o rum, envolver bem e refrigerar durante aproximadamente uma hora;

* Fazer pequenas bolas com a mão ou com o auxílio de um saco de pasteleiro e refrigerar mais uma hora;

* Arredondar novamente as trufas e passar pelo cacau em pó ou pelo coco ralado;

* Conservar sempre no frio.



Até amanhã! :D

6 comentários:

  1. Bemmmmm, que aspecto delicioso. Tenho de experimentar fazer (mas não sei se estou à altura!).
    Tens de espreitar os cupcakes de chocolate e manteiga de amendoim que fiz (partilhei ontem no blog). Para primeira vez, não me saí mal! Eheheh

    Aproveito para desejar um bom ano e que continues a deliciar-nos com as tuas receitas! =))

    Beijinho

    http://agatadesaltosaltos.blogspot.pt/

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    1. Experimenta, ficam muito boas :D

      Beijinhos e um óptimo ano :D

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  2. Raios, comentário no sítio errado. Começa a ser desesperante. 😤

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  3. Eu concordo plenamente que as tarefas domésticas sejam divididas. E não acho que isso prejudique a masculinidade ou a feminidade. Aliás acho ótimo que o casal esteja na cozinha a partilhar tarefas, é também uma forma de cumplicidade. É bom que ambos os sexos saibam fazer de tudo porque nunca se sabe o dia de amanhã. Mas também não gosto daquela obrigatoriedade do "agora fazes tu" "agora faço eu". Cá em casa é conforme estamos disponíveis. E acho que resulta bem assim. O meu marido não cozinha. É capaz de fazer de tudo em casa (embora não fique 100% perfeito!) excepto cozinhar. Mas eu não me importo porque isso é o que eu mas gosto fazer. Mas também não é daqueles que morre de fome se eu não estiver. Isso não! Nem que seja pão e queijo! Ele foi-se adaptando a esta realidade e agora não sabe ser doutra forma. Ajuda e pronto. É quase natural e instintivo. Nem preciso de pedir. Devo dizer que com os pais dele não funciona assim. O pai trabalha para sustentar a casa e a mãe apenas se limita à vida doméstica (note-se que é uma vida doméstica muito descansada). O meu sogro sim é capaz de morrer de fome se ela não estiver! Até a roupa antes do duche ela tem de levar! Que ridículo! Detesto mentalidades retrógradas. A minha mãe nunca teve um emprego. Mas tinha imenso trabalho. Lá em casa o pão era cozido em forno de lenha. A seguir havia sempre bolachas, suspiros, etc, para aproveitar o calor do forno. E ela gostava. Não era por obrigação (ela sempre foi uma autêntica fada do lar desde costurar, cozinhar, trabalhar o quintal). E não fazia gulodices só para nós. Era para toda a gente. A minha mãe devia chamar-se Teresa. Madre Teresa. E mesmo assim ainda conseguia ajudar o meu pai que era agricultor. O meu pai também não morria de fome se ela não estivesse. Abria uma lata de atum e com uma ou duas fatias de pão tudo se resolvia. Tarefas domésticas é que não! Aliás, a minha mãe preferia mantê-lo longe da cozinha para que não houvesse prejuízos de maior! Depois dele morrer acabaram-se as coisas feitas em forno e em lume de lenha e reduziu-se drasticamente nas oferendas para este e para aquele. A idade e a frescura também não são mais as mesmas. Entretanto casou novamente e o marido, apesar de ser da geração em que os maridos nada fazem em casa, não segue esse rótulo. Ajuda em todas as tarefas domésticas e até cozinha se for preciso! Ao longo dos tempos houve muita coisa que evoluiu e muita que regrediu (os valores e o respeito principalmente acho que regrediram ou então ficaram esquecidos) mas a partilha de tarefas foi uma grande e excelente mudança! Ah, as trufas estão de bradar aos céus!

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    1. Eu acho que tenho esta postura porque o meu pai sempre cozinhou em minha casa (e de forma maravilhosa, diga-se) e sempre ajudou, lavou a louça, pôs a mesa, etc. Nunca tinha pensado nas tarefas domésticas como coisas exclusivas da mulher porque efectivamente nunca foi essa a minha realidade :)

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