31 de dezembro de 2014

Twelve Days of Christmas - 7 - Bolinhos de bacalhau

On the seventh day of Christmas my true love sent to me,
seven swans-a-swimming, six geese-a-laying,
five gold rings, four calling birds, three french hens, two turtle doves and a partridge in a pear tree.


Há mais de sete anos que vivo em Lisboa. Grande parte do sotaque já se perdeu, alguns dos traços típicos da personalidade nortenha estão mais tímidos e até já tenho dúvidas existenciais sobre o meu clube de futebol.

No entanto, creio que há coisas que nunca irão mudar.


Ainda digo pingo (garoto), fino (imperial) e molete (papo seco). Digo sertã (frigideira) e estrugido (refogado). Digo cruzeta (cabide), sapatilhas (ténis), cordões (atacadores) e meias-calças (collants).

Ainda digo 'nove menos cinco', em vez de 'cinco para as nove'. E digo 'anda cá à minha beira' em vez de 'anda cá ao pé de mim'.


Ainda digo aguça (afia-lápis) e aguçar (afiar), safa (borracha) e safar (apagar). Digo calcar (pisar), pinchar (saltar) e tombo (queda). Digo 'está quilhado' (está estragado) e 'está enxertado' (está aberto).

Ainda digo catota (macaco do nariz), guna (mitra), repas (franja) e espinha (borbulha). Digo 'dezôito', e não 'dezóito' e digo 'bácina' em vez de 'vâcina'. Digo 'IKEIA'.

Ainda digo bolinhos de bacalhau.


Por isso aqui têm: uns bons bolinhos de bacalhau, mesmo à moda do Norte. Já tinham tido a sua versão no forno aqui, hoje vêem a luz do dia na sua forma original - fritos com amor e cuidado pelas mãos enrugadas e suaves da minha avó.

Porque as nossas origens nunca saem realmente de dentro de nós.

 


Bolinhos de bacalhau

Ingredientes (para cerca de trinta bolinhos):

* 800g de bacalhau;
* 400g de batata sem pele;
* Três gemas;
* Salsa picada;
* Uma cebola picada;
* Uma pitada de pimenta preta;
* Uma pitada de sal;
* Óleo para fritar.

Confecção:

* Cozer o bacalhau, desfiar e reservar;

* Cozer as batatas na água de cozer o bacalhau;

* Colocar as batatas e o bacalhau dentro de um pano lavado, fechar e espremer bem;

* Juntar as gemas, a salsa e a cebola e temperar com a pimenta preta e o sal;

* Amassar bem e formar bolinhos;

* Fritar em óleo bem quente, retirando o excesso antes de servir.



Estes bolinhos são uma óptima sugestão para a noite de passagem de ano: são práticos e fáceis, e podem sempre dar-lhes um toque mais gourmet fazendo pequenas bolinhas :D

Feliz Ano Novo! :D

12 comentários:

  1. Votos de um Feliz Ano Novo, com muita Saúde, Amor e sucesso!

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  2. Eu digo biju para falar do pão normal. :D E digo catrota e não catota. ahahahah E sou do Norte mais norte que há, do meu Minho, tão a norte do país.

    E babei muitooooo com as tuas receitas, ao longo deste ano.

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    1. Que giro, catrota nunca tinha ouvido :D

      Beijinhos e bom 2015 :D

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  3. Eu estou nos acores ja la vao 5 anos, mas tambem ainda digo isso tudo :)
    Lindos bolinhos d bacalhau. . Ainda hoje fizemos ca por casa!
    Bom ano,
    Susana

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  4. Não sei se já disse, MAS eu adoro quando se usa "a" *tracinho (escrito entre asteriscos porque é muito mais giro do que um tracinho mesmo)* verbo+ing (que eu gosto de chamar carinhosamente "verbing" - vou comprar um peluche e dar-lhe esse nome.).
    Eu ia dizer que era estranho "o sotaque desaparecer" assim tão depressa, mas... Sete anos é muita coisa :P eu nunca noto nenhum sotaque particular em mim nem em mais ninguém, estou habituada a que toda a gente fale mais ou menos da mesma maneira e acabo por achar que ninguém tem sotaque (e, já agora, que o português é a única língua sem sotaque - conclusão brilhante de quando era mais pequena. Comparado ao tom do musical dos brasileiros ou à sonoridade luxuosa do inglês de Inglaterra até parece :P). Mas acho piada a essas diferenças :) e às vezes surpreendo-me, especialmente quando me ouço num sítio silencioso (particularmente com o "ão" vs "um" haha :P acho sempre que *num* soa muito bem :P).
    Molete? Molete?! MOLETE?! ESTRANHO. Por muito mau que seja um pão não merece estar a uma vogal de distância de um prato salgado. Eu estou sempre a queixar-me da exagerada panóplia de nomes para um só tipo de pão - bijou, papo seco, trigo, carcaça. Molete nunca ouvi, para mim molete = moletinho = bolo. Aquele de S. José, acho eu. Uma vez uma professora mencionou por alguma razão obscura um "papo seco" e toda a gente da turma ficou muito surpreendida
    "ah, como é que chamam, carcaça?"
    (Não, não estou a imitar nenhum escritor, que ideia. Uma pessoa já não pode escrever como quer.)
    *olhares de desentendimento*
    "bijou?"
    *ignorância geral*
    "trigo?"
    *caras de "a "stora" passou-se"*
    "Pão francês?"
    *ahhh, então o cabelo encaracolado que mastiguei era um pedaço de bigode!*
    (Pão francês devia ser a baguette, já agora.)
    "ENTÃO O QUE É QUE CHAMAM ÀQUELA PORCARIA?!"
    "Pão."
    (Mais especificamente "poum".)
    (E esta é a história de como a professora de "ciências" achava que a turma era um bando de palermas. Eu não, eu não falo muito nem entro em debates sobre pão. Mas achei piada.)
    ...Sinceramente o nome que prefiro é mesmo esse. Pão. Pãozinho, se se quiser ser gourmet. E para a Heidi, enorme propulsora do movimento pró pão pequeno.
    (Eu sei que é um bocado indefinido, mas eu continuo a usar. Talvez isso mude a partir de agora, já que acabou de me ocorrer a brilhante designação "bica redonda".)

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    1. Em minha casa sempre se chamou molete. Mas também já ouvi biju :)

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  5. ...Mas o pão é sempre um tema polémico. Eu já vi, olha o ultraje, quem chamasse "pão" à BROA. E o pão pão é "trigo". É muito engraçado, parece que se está a quantificar um cereal.
    (Chamar trigo ao pão não me faz muita impressão, mas o pão ser trigo e a broa ser pão sim. Apetece-me esfolar esses reformistas.)
    ...Ah, e a velha história da rosca/regueifa. De qualquer das maneiras todos os nomes menos "pão" são horríveis. Rosca. Regueifa (Ideias esgotadas?). Até "broua". Têm todos um som tão agressivo! Carcaça devia ser exclusivamente o nome de coisas em decomposição OU um insulto, e mesmo assim só com velha à frente. E "papo seco"... É preciso dizer alguma coisa? De cada vez que vejo apetece-me criar um movimento de apelo à consciência perante a dormência do hábito e aceitação rotineira. Aposto que se o pão se chamasse pão e (nesse mundo utópico!) aparecesse um profeta a dizer "isto agora é papo seco" o matavam à pedrada.
    (De qualquer das maneiras qualquer profeta acaba por irritar um bocado, ninguém gosta assim tanto de queijo farelento na salada.)
    Há algumas que eu não fazia a mínima, nunca diria que "sertã" é típico do norte e não estou habituada a dizer. Só conheço por causa da lenda. Estrugido/refogado - digo os dois. Mas acho muita mais piada a "estrugido", não há como negar - além de designar a coisa com cebola é um dos mais brilhantes insultos. Nunca vi ninguém chamar a outra pessoa "refogado". Ninguém no seu perfeito juízo que esteja no meio de uma discussão acesa (se bem que estes dois pontos parecem às vezes irreconciliáveis, ou pelo menos desde que a palavra "discussão" mudou de significado principal) pode negar que um estrugido é muito melhor. É dos adjectivos mais expressivos. :P
    ...cruzeta, sapatilhas, cordões e meia-calça (só digo no singular :P) residem imperturbáveis no meu dicionário.
    Há alguém que diga "x para as nove" em vez de "nove menos x"?! Pensava que isso era inglesice.
    Aguça é exclusivo. :) Alguns na primária diziam "safar", eu achava estranho :) catota também. Mas "dezôito", "espinha" e "rêpas" sim. Isto até é divertido.
    (E "vácina". Tem piada, há coisas que nem imaginava. "Vâcina"? :P)
    O "IKEA" é um grande dilema para mim, sentimento exacerbado por uma crónica ou assim do Ricardo Araújo Pereira. Mas digo "i quê á" (o que até é giro, porque se alguma vez fôr lá e perguntar se têm alguma coisa em stock posso perguntar ao empregado "e quê, há" - seria o momento alto da minha vida).
    Qual é a alternativa a "bolinhos de bacalhau"? Pastéis? Deve ser, mas soa um bocado estranho :) bolinhos é muito mais giro :P
    Não como isso há mesmo muuito tempo, mas também não sou grande fã, até porque já tive um susto enorme com uma espinha entalada que se parecia espetar dolorosamente entre os ouvidos de cada vez que engolia. Mas antes disso já toda a gente da minha família tinha optado pela versão bolinhas, só que pior porque era pré-feita (só fritar). E obviamente que "homemade tastes better" (quer dizer, às vezes duvido e depende do caso, mas em geral...) :) e os bolinhos com forma mais "rústica" também ficam giros, mesmo que não me façam lembrar de uma certa comparação estranha entre salgados e bebés. E parecem estar mesmo deliciosos! Adoro pintinhas verdes de salsa, dão sempre um aspecto muito bom :)

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    Respostas
    1. Sim, quando eu vim para Lisboa dizer vácina toda a gente achava que eu era uma azeiteira qualquer :D

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