16 de dezembro de 2014

Calzone vegetariana para um professor estranho :)

What you gonna do with all that junk,
All that junk inside that trunk?
I'ma get, get, get, get you drunk,
Get you love drunk off my hump.

What you gonna do with all that ass,
All that ass inside them jeans?
I'm a make, make, make, make you scream,
Make you scream, make you scream.

What you gonna do with all that breast,
All that breast inside that shirt?
I'ma make, make, make, make you work,
Make you work, work, make you work.

Black Eyed Peas


Eu andei nove anos numa escola de inglês, dos dez aos dezanove. Todos os anos tínhamos um professor novo, e houve um que me ficou particularmente na memória: o David.

Estávamos em 2005 e eu tinha 16 anos.

 

O David era um senhor sueco que tinha vivido no Reino Unido durante muitos anos e que era bastante rezingão e sisudo. Raramente sorria ou brincava, era muito exigente connosco, estava sempre a implicar com os meus espirros e tinha pouquíssima tolerância a brincadeiras ou segredinhos para o colega do lado. Era, no fundo, o exemplo perfeito da eficácia nórdica.

É claro que no início nenhum de nós gostava dele. Mas no fim, quando chegou a altura de mudarmos de ano, todos ficámos com pena de nos despedirmos daquele senhor cujo coração de pedra conseguimos amolecer ao longo dos meses.


Um dia surgiu à conversa a música actual, e alguém deu como exemplo a 'My Humps' dos Black Eyed Peas. O David ficou estupefacto e disse com um ar tremendamente horrorizado:

- 'Não sei como é que os vossos pais vos deixam ouvir isso! Já pensaram bem no que diz essa letra?'.

Na altura devo ter feito um sorriso condescendente qualquer - afinal, já era super crescida e madura. Pareceu-me uma parvoíce fazer um alarido tão grande por causa de uma letra normalíssima, e creio ter desculpabilizado aquela opinião do David pensando que ele era mais velho e careta.


Actualmente dou por mim a ouvir exactamente a mesma coisa em relação aos miúdos de hoje em dia. Ouço dizerem que os miúdos estão perdidos, que não se importam com nada, que são burrinhos e que têm as prioridades trocadas. Ouço comentarem que não têm responsabilidade, que não uns mandriões, que só ligam aos bens materiais e que não estão preparados para a vida.


E depois páro e penso: onde estávamos todos nós aos 16 anos? Não estávamos certamente a discutir textos do Tchekhov ou a ouvir Mendelssohn enquanto degustávamos o nosso café com brandy em chávenas a combinar. Não estávamos a salvar o mundo nem a fazer descobertas científicas dignas do Prémio Nobel.

Estávamos a vestir roupas ridículas, a fazer figurinhas tristes, a dar demasiada importância a coisas totós, a ter namorados, a fazer dramas porque os nossos pais não nos deixavam fazer coisas e a sonhar acordados. E estávamos a ouvir músicas degradantes como esta.

Por isso da próxima vez que suspirarem de exasperação quando virem a forma como os miúdos de hoje em dia se comportam, tentem realmente lembrar-se de como foram quando eram adolescentes. E depois de rirem como uns perdidos, permitam-se comer uma refeição tipicamente adolescente: pizza.


Hoje trago-vos uma versão ainda melhor e mais estaladiça: uma deliciosa calzone vegetariana. Ideal para comerem sentados no sofá com a sala toda desarrumada, acompanhada de uma bela Coca-cola - afinal, um dia não são dias.

E se depois ficarem com a consciência pesada, podem sempre dançar ao som da 'My Humps' para queimarem umas calorias :D


Calzone vegetariana

Ingredientes (para quatro pessoas):

* Uma saqueta de fermento de padeiro (aproximadamente 5g);
* Uma colher de chá de açúcar;
* 150ml de água quente;
* 250g de farinha;
* Uma pitada de sal;
* Duas colheres de chá de azeite;
* Molho de tomate q.b.;
* Uma colher de chá de mistura de especiarias italianas;
* Uma colher de chá de orégãos;
* 200g de cogumelos laminados;
* 200g de queijo ralado.

Confecção:

* Dissolver o fermento de padeiro e o açúcar em 50ml de água quente;

* Mexer e deixar actuar durante vinte minutos;

* Juntar a farinha, o sal, o azeite, a mistura anterior de fermento e a água restante e amassar bem, fazendo uma bola;

* Colocar a massa numa tigela grande, tapar com um pano lavado e seco e deixar levedar durante duas horas (normalmente coloco dentro do forno pré-aquecido a 70º e desligado);

* Amassar novamente e estender numa superfície enfarinhada;

* Colocar num tabuleiro do forno coberto com papel vegetal e cobrir metade da massa com o molho de tomate, as especiarias italianas, os orégãos, os cogumelos e o queijo ralado;

* Fechar a massa sobre si própria;

* Levar ao forno pré-aquecido a 250º;

* Assar a pizza durante 15 a 20 minutos, dependendo do gosto.



Até amanhã! :D

20 comentários:

  1. Pobre professor, a aturar adolescentes parvos.

    Fiquei a babar!!!

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  2. Adoro calzone, o teu ficou perfeito ! Nunca fiz porque ou teria de comprar a massa como faço com a pizza. Porque o meu medo é a massa não ficar no ponto . É uma coisa que tenho de aperfeiçoar :) Adoro o teu blog !

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    1. Márcia experimenta :D Na pior das hipóteses acabas com uma pizza :D

      Obrigada :)

      Beijinhos! :D

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  3. Joana, gosto tanto dos teus posts, estas pequenas histórias que contas sempre de uma maneira tão engraçada, tão tua... Tive muita pena de não estar no Porto quando fizeste o workshop. Mas pronto, fica para uma próxima.
    Beijinho de uma leitora assídua que raramente comenta, mas que hoje ficou tocada. :)
    PS - também adoro calzone! Ainda mais do que pizza! ;)

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    1. Muito obrigada Isabel :D Sim, fica para uma próxima oportunidade :)

      Não sei se gosto mais de calzone ou de pizza, confesso que esta experiência me deixou rendida à calzone :D

      Beijinhos! :D

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  4. Ai que bom aspecto tem esta calzone!!

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  5. Adorei este post! Como tantos outras na verdade... :)
    És uma pessoa feliz e isso é tão bom... Deve ser excelente ter-te como amiga Joana! Não só pelas conversas e ideias mas também por essa pizza ahah (brincadeira)
    Um beijinho *

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    1. Por acaso não tenho muitos amigos Ana. Mas os que tenho são dos bons mesmo ;) E gostam de vir comer cá a casa, pois claro :D

      Beijinhos :D

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  6. 100% de acordo! Não há nada mais ilustrativo do chamado "conflito de gerações" do que acharmos que os adolescentes de hoje em dia são mais parvos do que nós fomos...

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    1. Pois claro! Como se na nossa altura fôssemos adolescentes diferentes :) Sinceramente quando comparo os meus amigos da altura com os que o meu irmão tem agora, acho que eles são uns verdadeiros anjinhos :D Mas enfim, o conflito de gerações induz amnésia nas pessoas ;)

      Beijinhos :D

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  7. Esta será a minha próxima receita! ( mais uma do teu blog!! Obrigado Joana!)

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  8. Tanto tempo numa escola de inglês? Eu não ia gostar nada :P eu sei que não tem nada a ver, mas andei na primária e aquilo era horrível - só aprendia imensas vezes as cores e balbuciava a «Twinkle Twinkle Little Star».
    Essa frase de localização temporal está demais, andas a ler muitos contos infantis!
    (Aqueles do Winnie the Pooh! Com o Christopher Robin. O Christopher Robin é o Doraemon amarelo e super fofo do Winnie the Pooh. E o amigo bonitinho do Garfield, também em versão Winnie the Pooh.)
    Eu tive muitos professores com personalidades fortes. É uma situação em que elas se destacam muito por haver muito contacto e uma «hierarquia». Acho que ainda só tive 1 ou 2 professores (por acaso professorAs, mas a maioria também é professora) de que não gostava... Não sei, também nunca fui muito com o «yay, vamos odiar este professor» do resto da turma (mas pronto, não me vou pôr a falar da crueldade odiosa da maior parte dos alunos que o comentário já vai longo).
    É muito engraçado quando professores distantes mostram uma faceta mais «pessoal». E muitos dos professores mais objectivos/«robóticos» que já tive eram HILARIANTES. :P
    Sinceramente li a letra da música e pensei que era «estranha» - nem é uma questão de sensibilidades, não fico escandalizada, mas não gosto. Vê-se logo o tipo de banda/cantor por isso :P
    «Careta» é um adjectivo?
    OH MEU DEUS! OBRIGADA! AHHH :D
    *forçar-me a desligar o «caps lock»*
    *Inspirar*
    *Expirar*

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    1. Por acaso eu gostava imenso de andar no inglês. Tirando a parte de ser às 9 da manhã ao Sábado, por isso nunca podia dormir até tarde :)

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  9. ...Eu via os miúdos do recreio e adorava. Ultimamente andava muito curiosa com um episódio. O irmão de um deles ia lá (à escola). Era suposto ele ser «fixe», mas afinal os miúdos ficavam desiludidos porque ele era um «cromo». Eles não usavam a palavra «cromo», e nos últimos meses não tenho conseguido dormir por causa disso. Acho que vivo com essa certeza inquietante há mais de um ano - QUAL ERA A PALAVRA QUE USAVAM? - ...mas já não dá na TV. Portanto eu pensava que ia viver com a dúvida angustiante. Quando li esta palavra fiquei paralizada durante uns segundos. CARETA. Era CARETA :D Ainda fui tentar confirmar (acho que este foi o comentário que esteve mais tempo «em produção», interrompi para fins de pesquisa sobre os Miúdos do Recreio) - não estava a conseguir, porque parece que não é assim tão popular ou comentado, muito menos em português (em inglês acho que era «geek», o que não ajuda muito), e a Disney é má e bloqueia vídeos do youtube por causa dos seus direitos de autor idiotas. Mas encontrei um site com os episódios TODOS.
    (Respira, eu sei que isto é muito emocionante.)
    É CARETA. OH-MEU-DEUS é careta. Não acredito que descobri. O teu blog já estava «no topo», mas agora furou o tecto!
    (Estou a controlar-me para não incluir comentário risos expressos por vogais que não o «a». Normalmente acho que fica estranho e um bocado constrangedor. Como se qualquer tipo de escrita de riso não fosse estranha o suficiente. Mas no meio da histeria é difícil controlar-me.)
    (Já agora, também me proporcionaste um MONTE de recordações - o miúdo da cadeira! os escavadores! as irmãs! as bolas! - & a descoberta da minha nova série de eleição, ou o hobbie da tarde de Domingo :P haha(--> riso sob controlo.))
    (Reparaste no meu «&» demonstração de alegria? É um símbolo tão festivo, com as duas perninhas a dançar! ...Isto ignorando a interpretação «boneco sentado a arrastar o rabo». Não há nenhuma palavra aceitável para «rabo» que não soe estranha e infantil, pois não?)
    *Inspirar*
    *Expirar*
    ...Quem ouvir pensa sempre que há uma enorme degeneração, com a quantidade de «no meu tempo não era nada disto»s. Acho que a história é sempre a mesma :P
    Assim não vale, pizza é muito diferente de um calzone refinado e LINDO :P
    A minha avó e o meu tipo gostam de DOBRAR FATIAS DE PIZZA AO MEIO (!), se calhar é uma espécia de calzone rudimentar e muito pior do que o teu :P Calzone faz-me lembrar taco, o que me faz lembrar taco da Kim Possible (hoje estou virada para os desenhos animados - não que não me lembre da Kim Possible todos os dias. Ainda chamo por ela secretamente. E amaldiçoo-a por não cumprir o que diz na música inicial.), o que me faz lembrar SUPER BOM. :P
    Que engraçado ser para 4 pessoas, normalmente é individual :P pensei que fosse, talvez tenha subestimado o tamanho :P Pizza também parece maior (por estar estendida?). Se calhar se fosse individual ficava muito pequeno. Podia-se fazer em versão mini. Será que passavam a ser rissóis? :P
    Já falei do aspecto RIDÍCULO disso? A sério, o queijo a escorrer... Não podia ter ficado melhor, é impossível. Todos os cogumelos congeminaram para ficar nas posições certas E abrir caminho a uma CASCATA DE QUEIJO! Que-aspecto. É estúpido o quão bonito isso está. Vamos falar de padrões de beleza irrealistas na comida? :D
    (Isto é um elogio, não «implicância», acho que podia ser visto dessa maneira. O meu bom senso está a ser prejudicado com o atordoamento da foto. AAHH foto.)
    Não gosto de e nunca comi sentada no sofá. Pronto, uma vez, em casa da minha prima. E numa dia em que achei que seria confortável comer papas de aveia no sofá.
    (Não é. É stressante ter uma malga suja ao lado.)
    ...
    ...
    ...
    ...
    IHIHIHI CARETA.
    D:

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    1. Careta é um óptimo adjectivo :D

      Na verdade isto dá para duas pessoas com bastante fome. Normalmente eu e o Pedro comemos meia de cada vez (e partimos essa meia em duas), mas eu conseguiria comer metade sozinha na maior :D Também conheço quem dobre fatias de pizza ao meio e até quem dobre pizzas inteiras ao meio, por isso não me choca assim tanto :D

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  10. (Gostaste da minha divisão enigmática do comentário? :P)

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