23 de abril de 2014

Pães pita (no fogão) e uma apresentação sui generis.

Say what you say, do what you do,
Feel what you feel, as long as it's real.
I said take what you take and give what you give,
Just be what you want just as long as it's real.

Lily Allen


No meu primeiro dia de um certo estágio num determinado hospital fui recebida por um médico muito particular, que fez um grande discurso sobre a importância de falarmos abertamente com os doentes sem termos medo de fazer perguntas difíceis.

Na altura eu ainda era verdinha e pequenina e achava realmente que perguntar a doentes idosos se alguma vez tinham experimentado drogas endovenosas, quantos parceiros sexuais tinham tido ao longo da vida e se já tinham feito alguma interrupção voluntária da gravidez era tão importante como diziam as minhas cábulas de história clínica.

Adivinhem: não é. Apesar disso, ficariam surpreendidos com algumas das respostas.


Durante o curso perdi toda e qualquer vergonha de falar sobre o que quer que seja com os doentes, à excepção de um pequeno detalhezinho: a questão da nomenclatura genital.

É verdade: eu, médica com 25 anos, continuo a dizer pilau e pipi.

Já tentei usar os nomes científicos, mas não me sinto nada à vontade. Vai daí, e à falta de melhor alternativa, continuo a usar nomes dignos dos miúdos da primária (e mesmo assim depende dos miúdos, há uns já bem sabidolas!).


Se já tenho este problema com os nomes científicos, nem imaginam o meu preconceito contra o vernáculo normalmente associado a esta questão: julgo sinceramente que nunca proferi sequer nenhuma dessas palavras.

Deve ter sido por não gostar do nome que nunca tinha experimentado fazer este pão em casa. Mas garanto-vos que estou muito arrependida.

(E sim, também digo cocó e xixi.)


Pães pita no fogão (receita adaptada do blog 'Suvelle Cuisine')

Ingredientes (para dois pães):

* Seis colheres de sopa de água;
* Uma pitada de açúcar;
* Meia colher de chá de fermento de padeiro;
* Doze colheres de sopa de farinha;
* Uma pitada de sal.

Confecção:

* Juntar a água, o açúcar e o fermento e deixar actuar durante cinco minutos;

* Acrescentar a farinha e o sal e amassar bem, acrescentando mais farinha ou água se necessário;

* Formar uma bola e deixar repousar uma tigela coberta com papel aderente num local quente durante aproximadamente duas horas;

* Dividir a massa e formar dois discos;

* Colocar numa frigideira anti-aderente aquecida e cozinhar durante aproximadamente cinco minutos de cada lado;

* Rechear a gosto.


Até amanhã! :D

12 comentários:

  1. Adorei o pormenor do título, sui generis ;)

    Beijinho,

    Daniela Costa

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  2. Uau :-) É o que tenho a dizer!
    Tanto do relato :-) :-) :-) Como dos pães pita! Vou experimentar, sem dúvida alguma...
    Beijinhos***

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  3. Bem Joana...passei e percebi que este blogue tem tudo a ver com a etapa de vida em que me encontro tentando uma viragem para o mais saudável...vou ficar a seguir:))!
    Bjs
    Maria

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  4. Ahahah! Adoro ler as tuas histórias :) e fiquei com uma fome a olhar para esses pães!
    Beijinhos!

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  5. Esses pãezinhos parecem deliciosos...!!!
    Quanto ao relato.. identifico-me bastante! Para mim existem as "partes baixas" e o xixi e o cócó ! hehehe
    Beijinhos,
    http://sudelicia.blogspot.pt/

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  6. Faço muitas vezes pita shorma aqui por casa... E agora com a bimby tenho mesmo que fazer os pães. Poupa-se imenso... Vou tentar a receita mesmo da bimby que me parece óptima, mas depois vou querer adaptar a tua a bimby, porque nao tenho paciência (nem tempo) para amassar. Ahah

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  7. Ficaram fantásticos! E no meu dicionário, pita não tem mal nenhum! ;-)

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  8. Não parece assim tãão embaraçoso, porque os "idosos" também já foram jovens e portanto têm tanta probabilidade de ter feito qualquer uma dessas coisas como alguém com 20 e tal anos. Só se for mesmo por serem outros tempos :P Mas na prática acredito que seja bastante mais "complicado"...
    As respostas até devem ser "divertidas" ;) Ainda bem que perdeste o receio, devia ser mesmo chato! Com o tempo deves ficar mais habituada :)
    Até tem piada que uses essas palavras! Haha, estou agora mesmo com um sorriso imbecil estampado na cara. Os nomes científicos soam sempre um bocado mal (quase "frios", sei lá), é um problema grave :) Mas não é de graande importância. Mas há nomes muito piores usados por "jovens" que sentem a necessidade de se autoafirmarem! (Cocó e xixi, pensei que eras tu com eufemismos para o blog!)
    Relação da história à receita: brilhante.
    E pontos bónus por os pães estarem perfeitos. O da esquerda tem aquelas marquinhas que adoro, e estão mesmo lindos! Uau. E "inchados" na perfeição. Não sei como tiveste coragem de fazer só 2, podia insuflar só um ou assim :P estão tão, tão, tão giros! Os pães rústicos, os pães de Deus, pão pita... E tudo da madame "não gosto de deixar coisas levedar"! Haha :)
    Até é bom que a receita seja para poucas quantidades, dá imenso jeito! E vou fazer :D depois disto fiquei com coragem. Sempre parece melhor que no forno (ainda por cima o meu forno não tem uma vista previlegiada para dentro e fico angustiada :P)!

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  9. Embora tenha uma profissão completamente, tenho exactamente a mesma dificuldade relativamente a "determinadas" palavras, chego inclusivamente a esperar que algumas colegas peçam o almoço (quando incluialguma delas) para depois só ter de acrescentar, para é o mesmo pf :)

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  10. Eheheheh eu uso o termo "genitais" e pronto dá para tudo! Como trabalho com animais as pessoas não têm assim tanta vergonha, mas às vezes apanho um cliente mais envergonhado que diz "aquilo" ou "a pombinha" e "a florzinha" e eu acho que devo fazer um ar de alien até perceber exactamente do que estão a falar ahahhaha :D

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